O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, disse hoje que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fez o Instituto Butantan perder "muito tempo" com a exigência de estudos clínicos de fase 3 no país para a aprovação do uso emergencial da CoronaVac. Nesta semana, a agência federal mudou as regras para dar o aval de aplicação de vacinas contra a covid-19 para grupos prioritários.

O Secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, seguiu o mesmo tom, ao comentar sobre o assunto. Ele afirmou que não vê problemas em fazer essa mudança, desde que a segurança da população não seja comprometida. 

"O que fizemos em relação à CoronaVac foi seguir todos os rituais éticos, científicos e com lisura - o que faz com que hoje todo cidadão que receba vacina, receba garantia de segurança e eficácia. O que precisamos é que, se tivermos rediscutindo essas considerações, que garantam essa mesma segurança para nossa população", pediu Jean.

Doses adicionais e 100 milhões até setembro 

Durante a entrevista coletiva, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reforçou o que já tinha afirmado recentemente, de que o governo paulista busca a aquisição de mais 20 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 além das que serão produzidas pelo Butantan. Doria explicou que o objetivo é garantir a imunização de toda a população do estado, já que o Butantan está comprometido com a entrega de um total de 100 milhões de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde.

"Sobre poder ou não, a constituição permite, o pacto federativo permite, não só São Paulo, qualquer outro [estado], Distrito Federal e prefeituras municipais. Se quiserem comprar mais vacinas, poderão fazer. É uma decisão do Executivo", comentou Doria sobre a polêmica se a ação é legal ou não.

O Butantan ainda aguarda a formalização do contrato que prevê o fornecimento de 54 milhões de doses adicionais da CoronaVac ao Ministério, totalizando os 100 milhões de doses. A expectativa é de que o contrato possa ser assinado ainda hoje.


Fonte: uol